Juventude: a força de uma nova estação

Os cenários atuais, país e mundo afora, revelam grandes questões para uma cultura carente de novos referenciais de vida. Cansado, o sistema capitalista, que escolhe o lucro como meta, torna-se escravo de um mercado ironicamente desigual. Daí os protestos, como força pulsante que acorda diante da insatisfação de tantas barbáries como desvios de dinheiros públicos, inversões de prioridades e mesmo no “país do futebol”, um “gol” não pode ser comemorado sem a triste consciência de quanto ele custa aos torcedores sofridos. Contexto, assim, é propício para outras tantas aberrações como a violência nua e crua, o surgimento de grandes vozes prometendo o “impossível” ou a acomodação de quem já não espera mais nada. É no meio de tudo isso que surge a caravana da juventude. Terá estação vibrante na Jornada Mundial, no Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho. E para os Redentoristas, também a Jornada Afonsiana, no dia 22 de julho, em Aparecida - SP, será oportunidade para a celebração de longa caminhada. Que força representa tais eventos para a nova estação jovem?

De fato, essas grandes peregrinações serão oportunidade para o encontro com a alegria de um dom recebido e a responsabilidade de descobrir que um outro mundo possível só nascerá com o empenho de cada um. Juntos, na diversidade de culturas, línguas, raças, o tom será o da fraternidade cristã. E aí o segredo: a nova cultura global não transmitirá vida para todos se não for trocada a senha do egoísmo por um estilo existencial que seja fraternal. Jeito de ser que se constitui, sem eliminar as particularidades de cada grupo, cada pessoa, na fundamental tarefa do amor oblativo. Podem existir outras propostas, no entanto, essa é a genuinamente de Cristo: amai-vos! E com um amor que não se mede a não ser na abertura dialogal e contínua ao outro – Deus. Amor sem os excessos de uma soberania que se reveste de poderes absolutos. Soberania, ah! que palavra tão enraizada nos instintos mais primitivos da raça humana; ressaltada por tantas promessas de que a felicidade é coisa para poucos vencedores, deve ser transformada em partilha. Batalha difícil e sem fim será essa de conviver como irmãos, mudando a sutil vontade de domínio em força boa na construção da paz.

Então, juventude, qual sua força verdadeira? Continuar o caminho das terríveis disputas que excluem grandes massas de gente? Não! O caminho é outro. Em suas romarias de fé e de vida, redescubra que o nome cristão guarda a memória de um projeto, de um caminho inaugurado pela pessoa de Jesus. Não é Ele uma imagem virtual e nem tampouco um consolo que pacifica sentimentos diversos. Ele é a grande força de uma possibilidade nova. Como descobriu Santo Afonso, seguir o Redentor é promover o bem de todos, guardando até o final um “não à violência”. Sua força não é serena, é forte, mas não agride; seu semblante não é só de sorriso; entristece com o mal, entretanto, ama o inimigo; seu poder não é o de uma estrela solitária; é solidário nas expressões do serviço em comunidade.

Pe. Vicente de Paula Ferreira, CSsR
Superior da Província Redentorista do RJ

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