Reconheceram-no ao partir o pão

Logo após o episódio da Ressurreição, Jesus aparece aos dois discípulos no caminho para Emaús. Como sabemos, eles estão se afastando de Jerusalém, lugar dos acontecimentos dramáticos do final da vida de Jesus. Seus olhos ainda não conseguem visualizar a vida após a crucificação e a sepultura. Certamente, os corações dos dois companheiros se encontram mergulhados na ilusão e na falta de esperança. O que resta a fazer após o acontecido? Apenas voltar para a casa e retomar a vida de antes, pensaram eles. Ora, algo muda radicalmente o caminho de desesperança dos dois discípulos, pois Alguém surge ao acaso, se faz companheiro de caminhada, compreende a dor daqueles homens, e esclarecem-lhes a missão do Messias à luz das Escrituras Sagradas, que anunciavam a sua morte e ressurreição.


  Chegando ao lugar onde passariam a noite, convidam, num gesto de hospitalidade, o forasteiro, para ficar com eles aquela noite. Reúnem-se ao redor da mesa, partem um pouco de pão juntos, um costume na cultura hebraica que era um modo de estabelecer e aprofundar relações entre amigos, sócios, companheiros de trabalho ou de ideal de vida. É então que seus olhos se abrem, e eles O reconhecem ao partir o pão (cf. Lc 24, 31). Nesse momento, o mundo e seus corações estão cheios de uma presença viva, que devolve a esperança e faz o coração arder. O itinerário dos discípulos com o Mestre, a partilha e comunhão de suas vidas iluminam também as nossas relações humanas. Trata-se de gestos que falam de escuta, abertura e companheirismo.


  A palavra “companheiro” engloba todo o itinerário do relato bíblico, cuja origem vem do latim “cum panis”, e significa aquele com quem dividimos o pão. Aquele em quem confiamos o suficiente para sentá-lo à nossa mesa e com ele dividir as nossas vitórias, as nossas derrotas, os nossos sonhos, a alegria do “viver-com”. “Não há pegada no meu caminho que não passe pelo caminho do outro” é o que nos recorda Simone de Beauvoir. Somos seres de relação e vamos fazendo-nos companheiros no decorrer de nossas travessias. O diálogo é o modo concreto de nos abrirmos à tríade “tu-eu-nós”, de fazer com que o nosso interlocutor seja realmente importante, escutando-o, respondendo-o com amor, transformando-nos em “dom” para sua vida, como fez Jesus no caminho para Emaús.


  O gesto de partir o pão também tem algo a nos ensinar, trata-se de um sinal que diz da experiência de se fazer companheiro do outro, partilhar da mesma vida, dos mesmos sucessos e insucessos, comungar da mesma Missão. A partilha do pão, um gesto aparentemente banal, de todos os dias, é um sinal de que a comunhão de vidas proposta pelo Cristo sobreviveu à sua morte. E será justamente esse o sinal para que os discípulos reconheçam que Ele vive ressuscitado no meio deles. Nossas relações humanas são carregadas de sinais que vão além da aparência, simbolizam algo muito profundo, pois representam experiências que são vividas junto com os outros, são como “segredos” partilhados por aqueles que se dispõem a caminhar juntos nas estradas difíceis da existência.

 

  Jesus ressuscitado continua vivo na vida de todos os que sabem redescobri-lo na pessoa de cada irmão ou irmã, nos gestos simples da vida que são sinais de sua presença, na coragem de construir a história juntos, na realização de verdadeiros encontros, quando “formos todos olhos e ouvidos uns para com os outros”:   “E quando estiveres próximo tomarei teus olhos e os colocarei no lugar dos meus e tu tomará meus olhos e os colocarás no lugar dos teus. Então te olharei com teus olhos e tu me olharás com os meus” J. Moreno.

 

Rodrigo Costa Silva
Noviço / Província do Rio
Fonte: www.provinciadorio.org.br

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