Sobre a cruz comigo...

Cruzes não faltam à nossa vida...! Porém, muitas vezes, não gastamos o nosso tempo para entendê-las e reconhecer o seu valor para o nosso crescimento humano e espiritual. Também são poucos os que as compreendem à luz do mistério Pascal de Cristo, que transforma nossa vida de crucificados numa vida de ressuscitados, que converte o nosso caminho de cruz em caminho de glória e libertação. Aproxima-se mais uma vez a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, centro e ápice de nossa fé cristã. Não será oportunidade para contemplarmos a nossa vida à luz desse mistério de amor e nos inserirmos na dinâmica de Redenção que nele se encerra?


Porque um Redentor? Porque uma cruz? São perguntas que poderíamos fazer ao contemplarmos o Cristo na cruz e percebermos o aparente silêncio de Deus diante do sofrimento humano, e a experiência de abandono que Jesus vive na cruz: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”. Na cruz nos deparamos com o paradoxo de um Deus que sofre, que experimenta a fraqueza humana e o abandono, um “Deus que não nos ajuda por sua onipotência, mas por sua fraqueza e sofrimento”, como nos recorda o teólogo alemão, vítima do nazismo, Dietrich Bonhoeffer. Por isso, a incompreensão daqueles que não se deixaram tocar pelo mistério do amor de Deus pela humanidade, para quem a cruz era “escândalo e loucura”, porque situada fora do cálculo humano, da razão lógica. Há que se mudar a vida para compreendê-la à luz de uma outra lógica, a do mistério da Fé: “Ele me amou e se entregou por mim” Gl 2, 20.
Santo Afonso compreende bem esse mistério escondido no madeiro e nos lembra que: “A cruz é inseparável da vida. Se queres ter paz, terás de carregá-la pacientemente. Se assim a carregas, ela te levará a Jesus”. Essa perspectiva não assustou os grandes místicos da tradição cristã. Pelo contrário, eles compreendiam que a cruz é a maior prova do amor de um Deus pessoal, que se relaciona com o ser humano, que é o Deus cristão, que se inclinou até a nossa humanidade. Isso é mistério PASCAL. A cruz é anúncio da nossa própria divinização e ressurreição, como nos lembra Santa Edith Stein, mística e mártir de Auschwitz: “A loucura da cruz é o começo da verdadeira felicidade”.


Da cruz de Cristo surge um apelo para que nos unamos a Ele em seu sacrifício redentor, assumindo e entregando a nossa vida, “o pacote todo”, para sermos transformados por seu amor oblativo, e assim reencontrarmos a vida com Ele. Mas é também convite para estarmos em pé diante das lutas e sofrimentos do cotidiano, com a confiança de que nosso Deus é compaixão, e por isso sofre conosco, morre conosco, toca nossos frágeis corações. A cruz de Cristo é a resposta de Deus ao nosso sofrimento humano. É a proclamação de um amor que é essencialmente misericórdia e, desta forma, partilha íntima da dor dos que sofrem.


Não é o nosso esforço puramente humano que nos pode salvar, mas sim, a participação no mistério da paixão de Cristo. Que nesta semana que se aproxima, considerada a “semana maior” do ano litúrgico e da piedade popular cristã, não nos esqueçamos desta grande verdade, e possamos olhar para a cruz com o coração agradecido, porque redimidos e libertos por Jesus. E aprenderemos d’Ele a compaixão por tantos homens e mulheres, crucificados diariamente sobre a cruz, que nos torna profundamente humanos à semelhança de Jesus.

 

Rodrigo Costa Silva
Noviço / Província do Rio
Fonte: www.provinciadorio.org.br

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