Alegra-te, cheia de Graça!

Maio é na vida da Igreja e na piedade popular, o mês dedicado a Maria, Mãe de Jesus. Refletindo e meditando a vida de Maria, lembramo-nos de todas as mães, chamadas a ser rosto materno de Deus na vida de seus filhos. Maria é chamada de a “cheia de graça”, aquela que encontrou graça diante de Deus. Ela é Bendita, a abençoada por excelência, graça que lhe possibilita dar uma resposta radical ao projeto de Deus Pai. Nela, que é a imagem da nova humanidade, a vida de cada homem e mulher ganha novos contornos. Assim, somos também convidados a sermos receptáculos acolhedores da graça e da eleição, que nos recria e faz-nos viver em sintonia com a vontade do Pai, como Maria, a mulher que vive sobre a “sombra do altíssimo”.


Pelo SIM de Maria o divino se faz humano e, desta forma, o humano se realiza plenamente numa mulher, “a promessa vem com leite de mulher”. Assim, ela é “verdadeiramente mãe” de todos os que vivem segundo o Evangelho. Maria recebe duas graças, a do nascimento de Jesus e a do nascimento da comunidade cristã, da qual ela é o principal modelo. A Virgem nos ensina a também gerarmos Cristo em nós, a partir de nossa docilidade e abertura para o Mistério. O Espírito que nela fez morada, a torna cheia de graça e, por isso, mulher e peregrina na fé, partilhando do mesmo destino de seu povo.


Maria é mãe e mulher na vida simples e humilde de Nazaré, fiel à sua tradição e sempre atenta e disponível para servir os irmãos: “Eles não têm mais vinho!” (Jo 2, 3). Fez um longo caminho de amadurecimento na fé, às vezes não compreendia certas coisas: “Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2,19). Em outros momentos se adianta, compreende a missão do Filho e se faz primeira discípula: “Façam o que ele disser” (Jo 2, 5). A vida de Maria é marcada por crises e desafios. Nada está pronto em sua vida, como muitas vezes pensamos. É por isso que a Mãe de Jesus é símbolo do ser humano em construção, que está aberto para o projeto de Deus e é tocado pelo Espírito Santo. Olhando para Maria somos convidados a cultivar um coração solidário, que anseia por uma nova ordem do cosmos e proclama o Reino que já se aproxima.


A maternidade de Maria inspira a vocação de todas as mães. Ela é ícone da verdadeira maternidade. Sua experiência de fé se traduz em ser mãe, educadora e discípula. Ser mãe é saber vivificar, educar, cuidar, amar, e tantas outras palavras que poderiam ser utilizadas para traduzir esta vocação bendita! Em Maria, todas as mulheres são chamadas a se tornarem férteis no corpo e na alma. Sem a maternidade, a humanidade estaria ameaçada. É por isso que cantamos: 


“Em cada mulher que a terra criou Um traço de Deus Maria deixou Um sonho de Mãe Maria plantou Pro mundo encontrar a paz” “Dizer teu nome, Maria, é dizer que todo nome pode estar cheio de graça” é o que nos lembra D. Pedro Casaldáliga, num de seus belíssimos poemas dedicados a Maria. Nesse pequeno verso existe um grande convite para cada homem e mulher também fazerem da sua vida uma entrega generosa a Deus, respondendo à vocação que Deus faz à humanidade, para que esta seja plenamente fecunda, em sintonia com o projeto do Pai. Nós também podemos ser benditos, repletos de toda graça, capazes de gerar Cristo em nós à semelhança de Maria. Basta apenas pronunciarmos o nosso FIAT: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38), e grandes maravilhas o Senhor realizará em nós.

 

Rodrigo Costa Silva
Noviço / Província do Rio
Fonte: www.provinciadorio.org.br

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