Pentecostes: a comunicação do Amor

Cinquenta dias após a festa da Páscoa, celebramos a festa de Pentecostes, a efusão do Espírito Santo manifestado e comunicado como Pessoa Divina da Trindade. O Espírito Santo é o dom de Deus. E o primeiro dom a nos ser comunicado é o Amor, portanto o Amor de Deus é o Espírito Santo que foi derramado em nossos corações (Rm 5, 5). Sabemos que é sob a forma de “línguas de fogo” que o Espírito se derrama sobre os discípulos reunidos no Cenáculo, na manhã daquele primeiro dia da semana. A linguagem do Espírito Santo não é senão aquela do Amor. É por isso que cantamos muitas vezes na liturgia de Pentecostes: “Sua imagem são línguas ardentes, pois o Amor é comunicação...”. 

Em Pentecostes, acontece a experiência do “dom de línguas”, que se trata de uma perfeita globalização do amor, pois o Pai deseja comunicar a todos o seu amor por meio do Espírito Santo. Pentecostes é incompatível com a confusão surgida na Babel, caótica e desencontrada. Ao contrário, é símbolo do cosmos integrado e harmonizado fraternalmente, que não exclui a diversidade, transformando-a no único, mas a acolhe e a converte numa sinfonia de Amor: “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5, 22), como bem nos lembra São Paulo.

Ao repousarem sobre cada um dos discípulos, as “línguas de fogo”, símbolo do Espírito Santo, dotam-nos da capacidade se serem arautos de uma comunicação linguística diferente, porque unitiva e integradora. Uma comunicação que consegue traduzir a todos os povos a linguagem do Amor, que destrói as barreiras do fechamento e egoísmo, encurta as distâncias, dissolve os preconceitos e faz da humanidade uma única família dos filhos de Deus unidos pelo amor, “o vinculo da perfeição” (Cl 3, 14).

O movimento de Amor da Trindade, isto é a comunhão de amor mútuo da relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo e que se derrama sobre todos os homens, torna-nos capazes de falar a linguagem do Amor, permitindo-nos compreender as diversas situações em que se encontra o nosso próximo, suas limitações e seus condicionamentos. O “dom de línguas” abre o nosso coração, assim nos tornamos simples e transparentes, capazes de anunciar a palavra de Vida, que é o próprio Cristo e o seu Reino a todos. Nossa língua se torna instrumento para uma comunicação suave e marcada pela delicadeza, que não conhece limites, pois qualquer pessoa, independente de sua idade, condição cultural ou social pode nos compreender e entrar na dinâmica do “Amor sem limites de Deus”, do qual estamos impregnados. Será que temos feito esta experiência?

Vivemos em tempos de profunda crise nas relações humanas. Embora vivamos numa “aldeia global”, nunca estivemos tão distantes uns dos outros. Muitas vezes a desconfiança e o preconceito cedem lugar à acolhida fraterna. Precisamos mais uma vez viver a experiência de Pentecostes, com a sua unção de Amor, que nos liberta de todas as formas de exclusão, autocentramento e egoísmo. “Accénde lumen sénsibus; infunde amórem córdibus”, A nossa mente iluminai, Os corações enchei de amor. O Espírito Santo é expressão de comunhão, e nesta comunhão todos somos chamados a participar. Que sejamos realmente comunicadores de uma linguagem nova, que faz de nós um só corpo e um só espírito no Amor.


Quando o Espírito espalma suas graças, 
faz dos povos um só coração:
cresce a igreja onde todas as raças 
um só Deus, um só Pai louvarão.

 

Rodrigo Costa Silva
Noviço / Província do Rio
Fonte: www.provinciadorio.org.br

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