Contemplação!

A explosão de cenas, imagens, fatos que a pluralidade comunicativa dos tempos atuais propicia todos os dias, borda um tecido com as mais variadas cores e desenhos. Comunicação é palavra chave numa sociedade em que todos, grandes e pequenos, buscam apresentar suas culturas, valores, fé. Uma das maiores conquistas, pelo menos nas experiências ocidentais, trata-se da democracia, do direito de expressão, da dignidade das diferenças, do diálogo como arte de conviver sem o peso da violência. No entanto, tais avanços não justificam um olhar superficial sobre o cenário como se bastassem posturas do tipo “tudo vale”.

 

Ou seja, é preciso apostar mais numa escuta atenta dos fatos, da existência. Sem uma atitude contemplativa, certamente não haverá profundidade nas escolhas, solidez nas conclusões e a vida perderá em densidade.Isso mesmo, contemplação! Essa palavra, na tradição espiritual cristã, tem pelo menos duas dimensões importantes. Primeiramente, ela exige um olhar um pouco mais demorado, com inteligência e afeto, sobre as acontecências pessoais e grupais. As boas conclusões não nascem de uma hora para outra. Carecem de tempo para serem mais sinceras e profundas. Aliás, a demora faz parte do parto existencial. O problema é querer, apressadamente, ver o sol nascer sem atravessar o silêncio da noite.

 

A vida, companheiro, só tem sabor quando fermentada lentamente com apostas trabalhosas. Paciência operante é postura de quem sabe dar intensidade aos ciclos. Então, contemplar é deixar não somente as coisas chegarem até a razão e coração, todavia elaborar também uma opinião, um discernimento, uma reflexão sobre o que chegou. Muita gente sabe dar notícia de tudo, mas infelizmente não tem palavra própria e isso pode se tornar arma perigosa nas mãos de quem gosta de dominar, de impor ou até mesmo de vender falsas promessas. Aquele que adquire um estilo contemplativo, aprende discernir diariamente entre paz e guerra, bem e mal, vida e morte.
Outro ponto que emerge da contemplação, é que a acolhida atenta do evento de cada momento da vida, provoca movimentos interessantes, fazendo o caminhante andar com mais esperança. Tem mais chances de encontrar clareiras que se abrem em plena mata escura. Cria novas possibilidades, novos rumos, orienta atitudes, faz germinar boas posturas criativas para um viver mais intenso. Geralmente, as tramas da história de quem perscruta com profundidade os mistérios de tudo que é, são carregadas de aberturas, buscas, inquietude de seguir além. O estilo contemplativo não aceita acomodar-se, por exemplo, a um processo que torna as pessoas massa e não sujeitos.

 

De fato, o poeta, o artista, a pessoa de fé, o santo, aprofunda os acontecimentos com um jeito de ser que resiste em cair na tentação da banalidade de que o valor se resume em mercado. Essas figuras são portadoras de alguma coisa imortal que um olhar distraído não consegue enxergar, que um coração agitado não pode desfrutar e tampouco uma inteligência orgulhosa consegue alcançar.

 

Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R.Superior da Província Redentorista do Rio

 

Fonte: www.provinciadorio.org.br

 

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