Família em foco

“Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização” é tema da Assembleia que prepara o Sínodo da família. Acontece em Roma, outubro de 2014. Já de posse de um instrumento de trabalho, composto por partilhas das igrejas de todo o mundo, certamente haverá bom debate e indicações de passos para o futuro, diante de tantas belezas e dramas que são apontados no seio das famílias. Desde já é louvável o empenho eclesial, com a liderança do Papa Francisco, em colocar em foco uma realidade tão complexa e urgente: os cenários familiares atuais.

 

Não obstante os tantos desafios que cabem ser aprofundados, há um elemento que parece sobressair: o testemunho do amor que gera vida diante da forte tendência cultural ao egoísmo. É bom, por isso, lembrar que a Igreja considera a família como santuário da vida, igreja doméstica e célula viva da sociedade. Enquanto santuário, deve ser promovida e protegida porque ela é berço que acolhe, educa, ampara a existência humana em sua fase constituinte. Dessa instância, todo ser humano depende para chegar à maturidade. De outra forma, é impensável um caminho digno para qualquer pessoa sem a proteção de tal santuário. Ela, a família é, também, igreja doméstica, espaço sagrado no qual se aprendem os valores mais profundos da fraternidade, da amizade cristã. Além das primeiras noções das orações de fé, a pequena comunidade familiar é responsável pela introdução dos infantes no caminho evangélico. Do contrário, como seria possível o lento aprendizado de valores como a partilha, a boa convivência? Enquanto célula da sociedade, é responsável pela transmissão dos bons costumes de um povo, de uma raça, de uma nação. Desse modo, enfraquecendo a força da família o que na verdade fica debilitado é a própria vida humana, o sentido de uma sociedade organizada e saudável e a comunidade dos discípulos de Jesus.

 

Diante desses elementos, há conquistas e, ao mesmo tempo fracassos. Todavia a Igreja insiste em buscar caminhos de presença e companhia em meio a todas essas realidades. Se por um lado parecia ser um fenômeno ultrapassado, por outro a convocação ousada de reuniões tão importantes, revelam a firme vontade das comunidades cristãs em defender, promover e acompanhar os variados movimentos pelos quais passa a família. São muitos os desafios que, de fato, os tempos atuais revelam. Talvez três atitudes, para evitar as decisões apressadas, deveriam ser: oração, diálogo e perdão. Caso a família, baseada na espiritualidade cristã, queira avançar de forma lúcida, não poderá fazê-lo sem resgatar o aspecto de reconhecer-se como sacramento do Deus amor. A Trindade Santa, que cria por amor, encontra no amor humano, esponsal, forma de realização, na história, deste amor. Sua dimensão oracional deve ser essa escuta atenta ao mistério do próprio Deus. A forma mais visível de tudo isso encarnar-se é a práxis do diálogo. Não se trata apenas de conversas, de dizer o que se pensa, mas de encontro verdadeiramente fraterno. Encontro que transforma para mais vida. A geração e educação dos filhos é visibilidade frutuosa dessa postura dialogal. O perdão por sua vez, vem do próprio Deus. Chance segura de recomeços, de recriar. Dos pequenos aos grandes gestos, a família deve ser escola de perdão e não depósito de domínio e violência.

 

Padre Vicente de Paula Ferreira, Superior da Província do Rio 

Fonte: http://www.provinciadorio.org.br

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