Koinonia: descobrir o senso de comunhão

 

O cristianismo começou com pequenas comunidades que se espalharam por todo Império Romano. Elas foram surgindo com uma força agregadora impressionante, pois nelas congregavam-se gente de diferentes classes sociais e culturas, o que rompia com as estruturas estabelecidas de então e proclamavam a utopia de uma humanidade unida em sua diversidade, formando uma única grande família. Aos poucos, os cristãos foram convencendo-se de que, para além de todas as identidades e nacionalidades, havia o apelo do Reino, convidando-os a ultrapassar as barreiras dos grupos sociais, a caminho de uma comunhão universal. Isso nos permite entender que desde sempre os cristãos foram chamados a ser um sinal claro de unidade na diversidade em meio à humanidade.

 

Os primeiros cristãos reconheceram na palavra grega Koinonia, o ideal que eles se comprometeram a viver e testemunhar a partir do batismo. De fato, Koinonia significa, entre outras coisas, “comunhão”, o desejo e o esforço de se viver a COMUM-UNIÃO de vontades, no esforço de construir uma humanidade nova e reconciliada, que não aceita a exclusão e a desagregação como critérios. As primeiras comunidades buscaram viver com radicalidade esta proposta desafiante: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça”. (At 4, 32-33).

 

Sobre o testemunho da vivência da Koinonia, Justino, teólogo do séc. II, conta-nos: “Os que possuem muitos bens dão livremente o que lhes agrada. O que se recolhe é colocado à disposição do que preside. Este socorre os órfãos, as viúvas e os que, por doença ou qualquer outro motivo se acham em dificuldade, bem como os prisioneiros e os hóspedes que chegam de viagem; numa palavra, ele assume o encargo de todos os necessitados”. Mas nem sempre foi assim... Aconteceram ao longo da história avanços e retrocessos, aconteceram divisões profundas no corpo místico de Cristo - que é a Igreja, que até hoje não se resolveram. A divisão entre os cristãos é um escândalo que depõe contra a nossa vocação de ser e fazer comunhão. É preciso também que estejamos atentos à globalização econômica, que acaba por excluir, ao invés de incluir, bem como ao racismo e a desconfiança crescente frente ao outro de que somos testemunhas. Também é preciso que nos atentemos ao grito de dor que emerge de tantas guerras estúpidas, da pobreza e da degradação da natureza. Qual será a nossa resposta concreta diante desse tempo de degradação em todos os níveis que estamos vivendo? 

 

Ainda bem que somos um corpo! - é a resposta que podemos dizer com convicção, na certeza de que nossa fé nos convida à fraternidade e à amizade evangélica com nossos irmãos, não somente com os dos nossos círculos, mas com todo homem e mulher, empenhando-nos em construir um mundo novo. Mas é preciso continuar cultivando o senso de comunhão, sem oposições estéreis ou partidarismos, que matam o sabor e alegria de conviver. Nossas comunidades devem ser lugar de apoio mútuo e de acolhida, onde todos se sintam parte de uma mesma família, ícone do sonho de Deus Pai para a humanidade, comunhão autêntica e universal, sem excluir a diversidade dos povos e culturas, mas integrando-a no todo da grande e bela ciranda dos filhos e filhas de Deus. 

 

Rodrigo Costa - Noviço da Província do Rio

Fonte: http://www.provinciadorio.org.br

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