A possibilidade de estar junto ao povo simples afirma a escolha vocacional do frater Jonas Pacheco, C.Ss.R.

 

 Jonas Pacheco Machado, natural de São Brás do Suaçuí-Mg. "Entrei na Comunidade Vocacional Santo Afonso (C.V.S.A.), em Juiz de Fora (MG), em 2005, com 14 anos de idade. Nessa etapa, tive como formadores Padre Vicente, Irmão Afonso, Padre Américo e Irmão Argemiro. Sou de uma família simples e filho único. Ao ingressar na nossa primeira comunidade de formação, tive algumas dificuldades iniciais. A primeira que destaco foi o “sair de casa”, deixar os pais, família e amigos. Naquele ano, éramos 25 jovens na comunidade, o que me deixou impressionado, conviver com tanta gente ao mesmo tempo. Eu não estava muito acostumado com isso. A saudade de casa era grande. Tudo era muito novo e assimilar tanta coisa levou um pouco de tempo. Mas, me encantei com a nova vida. A convivência foi de fundamental importância para minha permanência. Com a ajuda dos companheiros e dos formadores fui vencendo essas primeiras dificuldades e me firmando no novo caminho que escolhi. Foram três na C.V.S.A. e também três anos de ensino médio. No fim desses, um novo passo. Fui para nossa próxima etapa de formação, a Comunidade Vocacional São Clemente (C.V.S.C.), e o curso de Filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora. Um novo universo se abriu e a Filosofia enriqueceu muito meu modo de pensar, alargando meus pensamentos. Estudos profundos me deram suporte para os questionamentos que surgiram. Nessa etapa de nossa formação me encantaram os trabalhos pastorais e os trabalhos missionários. É o primeiro momento de nossa formação, onde começamos a ter um contato pastoral com o povo. Senti-me inflamado por estar junto às pessoas, evangelizando, aprendendo. Encantei-me ainda mais por ser missionário e estar numa Congregação com o carisma de servir aos mais pobres a abandonados. As experiências fortes na área pastoral me impulsionaram e afirmaram ainda mais minha escolha vocacional. Ao passar de mais três anos, mais um passo na caminhada. Terminei os estudos filosóficos e fui para o Ano S.P.E.S. (Síntese Pessoal das Experiências Substantivas). Um ano de parada nos estudos a fim de olhar a caminhada feita. Nessa etapa moramos com a comunidade religiosa, padres e irmãos, que desempenham seus trabalhos pastorais na cidade de Coronel Fabriciano (MG). Esse aspecto significou conviver de forma mais próxima e sentir melhor a vida religiosa. O mês de deserto ou mês Afonsiano, foi o centro desse ano. Consiste em ficar um mês, numa cidadezinha do norte de Minas. É o recolher-se para escutar Deus falando ao coração em meio ao povo simples e às dificuldades de nosso povo. Pude fazer uma boa revisão dos passos dados, da escolha vocacional e voltar motivado. É em meio ao simples que Deus vem até nós e a única coisa necessária para que isso aconteça é a abertura de coração. Ao término do ano de 2011 encerrei o ano S.P.E.S. E, em janeiro de 2012, fui para Tietê (SP), onde fiz o Noviciado. Um ano intenso. Conviver com outras províncias mostrou o quanto a reestruturação em nossa Congregação faz-se necessária. Conheci melhor nossas constituições e estatutos. Aprofundei a história da C.Ss.R. e tive mais contato com a vida de nossos santos. Em janeiro de 2013 fiz meus primeiros votos de pobreza, castidade e obediência. E retornei para Minas. Vim morar em Belo Horizonte, na Comunidade Vocacional Dom Muniz, realizando nessa etapa os estudos teológicos. Encontro-me no segundo dos três anos dessa etapa formativa". Na Comunidade Vocacional Dom Muniz, o formando vive a última fase de formação inicial, sendo a primeira experiência de vida religiosa, enquanto se prepara para a consagração definitiva pelos votos perpétuos e para o presbiterato. Tem como eixo central o estudo de Teologia e a experiência pastoral junto aos mais abandonados. O curso de Teologia é feito na FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia  e Teologia).  Acompanhe a entrevista com o frater Jonas Pacheco, C.Ss.R.:

 

 Em qual momento sentiu algo especial, que o levou a acreditar que trilharia um caminho diferente?

 

Conheci os Redentoristas através de um tríduo missionário em minha cidade. Com o jeito próprio de ser dos Redentoristas senti-me encantado. Não pensava na possibilidade de ser padre até então. Fiz o acompanhamento vocacional e percebi que ser Redentorista era o que Deus reservara pra mim. Fui sendo seduzido pela Congregação. E ser Redentorista hoje me ajuda a compreender um fato significativo em minha história. Quando nasci com apenas oito meses, tive sérias complicações de saúde e fiquei internado por um bom tempo, onde os médicos já não acreditavam na possibilidade de recuperação. Foi então que minha mãe, em apuros, pediu a um padre Redentorista que fosse ao hospital para me abençoar. E fez uma promessa ao Senhor Bom Jesus de Congonhas (MG), santuário na época sob os cuidados dos Redentoristas. Em dois dias, eu já estava tendo alta no hospital. Fui pra casa e tive uma ótima saúde. Acredito que, a partir de então, eu já tinha um coração Redentorista. E só aos 14 anos fui conhecer nossa Congregação.

 

Como escolher a vocação religiosa em meio a tantas opções que o mundo hoje oferece? Onde encontra a motivação para se manter firme na caminhada nos momentos de dúvidas?

 

É visível que a sociedade atual busca o prazer, o individualismo e tantas outras formas de “aproveitar a vida” e escolher a vida religiosa pode parecer que estamos na contra mão da sociedade, mas acredito que ser religioso hoje é ser luz para nossos dias. Nosso testemunho autêntico ajuda aos irmãos a também quererem um caminho diferente, um caminho que edifica a vida. Encontro motivação primeira em Cristo, que se fez homem, se fez um de nós para nos mostrar o caminho que leva a Deus Pai. Que precisou entregar sua vida para que os homens pudessem crer que verdadeiramente Ele era o Filho de Deus. Encontro motivação também em nosso fundador, Afonso, que deixou tudo para servir aos necessitados. E ser luz para as pessoas, ter algo para oferecer, estar junto ao povo simples é com certeza o que afirma minha escolha vocacional.

 

Cite pessoa (s) que considera importante (s) para sua escolha vocacional e fale da atuação dela (s) em sua vida.

 

Mesmo sendo filho único, meus pais não ofereceram resistência à minha opção de vida. O que é um pouco raro, pois o que vemos são pais querendo que os filhos sejam isso ou aquilo. Meus pais foram de fundamental importância no processo vocacional. Deram-me todo o aparato humano familiar que precisei. Sempre estiverem rezando pra que eu fosse feliz, independentemente do caminho que eu escolhera. Proporcionaram liberdade, não me aprisionaram. Poderiam ter feito o contrário, mas não o fizeram. Os formadores que tive até hoje foram importantes, ofereceram-me subsídios para minha “bagagem existencial”. Os primeiros Redentoristas que conheci contribuíram para meu encantamento pela Congregação.

 

De que forma lida com a saudade da família e com a necessidade de se adaptar a pessoas e lugares diferentes? Acredita que todas as atividades que fazem parte da formação amenizam essa carência?

 

A saudade da família hoje tem um significado diferente do que quando ingressei na C.V.S.A. Tenho um bom laço com meus pais e com a família, mas temos como princípio que o nosso caminho somos nós que fazemos e construímos, para isso é preciso alçar voo. Estamos ligados uns aos outros através de pensamentos e orações e, sempre que possível, através dos meios de comunicação e presença. Estar longe da família, hoje, não é um fator de carência, pois a comunicação e as distâncias são encurtadas pelos meios tecnológicos. A convivência com os confrades, que constituem nossa família Redentorista, agrega valores ao nosso ser e nos fazem pessoas melhores, menos fragilizados e carentes.

 

Qual o Santo da Congregação Redentorista que mais te inspira em sua caminhada vocacional?

 

Santo Afonso ilumina muito minha caminhada. Ver o desprendimento, a disponibilidade dele, faz meu coração estar sempre disponível ao projeto Redentorista. Pensar em alguém nobre, com todas as possibilidades para continuar a descendência familiar, com os ideais de seu pai e ao mesmo tempo abrir mão de tudo para ser presbítero, me lembra o que disse o próprio Cristo: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a salvará” (Lc 9, 23-24).  E, além do mais, não bastou ser presbítero, sentiu-se tocado pelos mais abandonados de seu tempo e pra eles quis se doar, defender a causa de quem não tinha ninguém que os defendesse.

 

De que forma acha que pode ser um instrumento de transformação e ajudar a quem precisa, sendo padre ou irmão?

 

Acredito que com meu testemunho de vida eu possa ser luz para muitas outras pessoas. Mostrando que é possível ser feliz, sem fazer responder aos imperativos injustos de nossa sociedade. Deixar evidente que é possível um caminho cristão nos dias atuais. Que os valores dos quais tanto precisamos no cotidiano não podem se perder devido às transformações que passamos. Nossos tempos são outros, mas é o mesmo Deus que esteve com o povo de Israel e continua a nos interpelar, para construirmos aqui uma rede de fraternidade, um mundo mais justo, mais digno, onde as pessoas consigam amar umas às outras.

 

Quais características da Congregação Redentorista chamaram mais sua atenção quando escolheu onde se formaria padre ou irmão?

 

Dentre várias características, destaco a audácia missionária. Estamos em lugares onde muitos não se sentem tocados para estarem. Nosso modo de evangelizar está sempre em consonância com a atualidade. Temos um modelo a seguir, o do Cristo, aquele que veio para redimir os sem dignidade, os que estão à margem, os que não acreditam mais na vida. Somos uma Congregação que procura sempre se atualizar, rever seus ideais para melhor evangelizar.

 

Como está sendo a vivência da fase de formação na Comunidade Dom Muniz?

 

A C.V.D.M. tem uma vivência singular. Somos uma comunidade de jovens Redentoristas consagrados, cheios de vida a doar pela C.Ss.R., alegres por nossa opção de vida. Nossas pastorais mostram-nos que muitos são os que se encontram em pobreza humana e que precisamos nos dirigir a estes. Temos aqui confrades de três unidades: Vice-Província da Bahia, Vice-Província de Fortaleza e nós, da Província de Minas, Rio e Espírito Santo. Somos ao todo dez formandos. Nosso reitor-formador é Padre Dalton.

Nossos tempos de reestruturação são de parcerias, por isso a presença de outras unidades, o que enriquece ainda mais o cotidiano Redentorista. Temos uma atenção com os estudos teológicos da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). A Teologia é uma ferramenta indispensável à evangelização. Ao fim de três anos, nos preparamos para os votos perpétuos, ordenação diaconal e presbiteral, nos seus devidos tempos.  Temos uma convivência saudável, fraterna e muito boa.

 

Deixe um convite especial aos jovens que sentem o chamado do Redentor no coração.

 

Fortes na fé, alegres na esperança, fervorosos na caridade, inflamados no zelo, humildes e sempre dados à oração, os Redentoristas, discípulos de Afonso, anunciam o Cristo. Escolher a opção de Vida Redentorista é escolher se entregar a Deus para melhor servir aos mais abandonados e necessitados de nossos tempos. Venha você também jovem fazer parte de nossa família Redentorista. Faça sua opção de vida. Tenha a certeza de que, como muitos doaram e doam suas vidas, você também pode fazer o mesmo. Agora é sua vez. Deixe seu coração se inflamar pelo Redentor, que te chama pelo nome.

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