Mística Natalina

Na criação, em sua globalidade, está impressa a marca do amor gratuito do Criador. Convicção que faz a pessoa de fé encantar-se, maravilhar-se por cada partícula única, pela imensidão do que se chama matéria e alegrar-se consigo mesma, por sua milagrosa condição filial. Ao encarnar-se, na história de Jesus, Deus explicita totalmente seu projeto salvífico. Mistério inesgotável; de grandeza exuberante. O Senhor, do céu, desceu para que fosse exaltada toda criação. Bondade pura, de Criador para criatura, em Jesus. Evento de densidade tamanha no qual o eterno revela a densidade sacramental de sua obra. Rebaixou-se para mostrar a dignidade das tonalidades amorosas variadas. De fato, lá já estava porque tudo fez. Entretanto veio para que a luz escondida brilhasse tão salvadora. Todas as coisas pertencem a Ele e falam d´Ele, caminham para Ele. O universo, como conjunto infinito, reúne-se ao redor de seu parco nascimento. Cada fragmento de matéria transforma-se num louvor filial. E é bom ser gente, porque gente sente, fala, canta, encanta-se e pode acolhê-Lo num jeito de ser também sacramental, que diz de sua operosa oferta de amor e continua realizando-a.

 

Crer em Jesus, portanto, é seguir suas palavras e gestos. É mergulhar a existência na inesgotável reserva de sentido que sua vida possui, fazendo do cotidiano uma verdadeira instância crítica porque crística - cristológica . Sim, ao serem modelados como humanos, no Espírito do Cristo, as atitudes dos discípulos devem irradiar cada cenário no qual se desdobra o amor maior. Não é possível levar a sério a opção carnal feita pelo divino caso não haja empenho de seus seguidores por uma defesa ecológica, antropológica, teológica etc. O Natal de Jesus é convite primeiro ao encantamento pela obra criação. Posturas de posse, de domínio, de destruição devem dar lugar a uma sobriedade na forma de lidar com as coisas. O voraz movimento que o consumismo capitalista impôs como norma de felicidade, apressadamente está construindo cenas muito infelizes. Ser mais simples, desapegados de tantas posses supérfluas, trata-se de um verdadeiro testemunho ecológico.

 

E o que dizer das feridas humanas? A carne finita, de todos, já daria material suficiente que justificasse o cuidado mútuo. Atitudes coletivas de solidariedade e amparo diante de uma condição limitada, desamparada. No entanto, em diversas circunstâncias tratam-se de verdadeiras fraturas expostas, geradas pela fome, pelas guerras, pelas doenças, pela exclusão. Não é possível ser natalino sem se tocar por tais realidades de tantos irmãos e irmãs. A fartura, o desperdício, o acúmulo também daquela noite de Natal, caso reforce uma mentalidade excludente, são exemplos de verdadeiro escândalo diante daqueles que não possuem as mínimas condições de sobrevivência. Em alguns casos, ilusoriamente pensa-se que Jesus está presente nessas ceias descompromissadas e, às vezes, fraudulentas. Infelizmente ele não chegou lá, está ocupado pelas margens do caminho, sem abrigo, sofrendo com aqueles que não podem festejar.

 

 

A fé natalina também não pode acostumar-se somente com a beleza estética de seus ritos e rezas. A liturgia é fonte cristalina na qual o cristão abastece a alma para seguir a missão. Por isso, natal é também senha da caridade como elemento central de quem crê. Afinal, o amor encarnou-se autorizando o ser humano a viver iluminado por uma mística cotidiana amorosa. Não vale acostumar-se somente com a beleza, meu irmão; estética sem ética é matéria perigosa. Gera ilusão de onipotência que conforta, todavia que expõe ainda mais os perigos da desigualdade. A grande beleza do cristão encontra-se em sua vocação transformativa, construtiva, solidária. Nada mais bonito do que o movimento redentor ser visualizado pela construção do bem comum, por exemplo. Natal somente pra ricos é idolatria. Quando os pobres também o celebram, é arte, utopia. Tem companhia de José, Jesus e Maria, mesmo que seja na mais humilde estrebaria. E como será o seu, caro leitor?

 

Fonte: www.provinciadorio.org.br

 

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