Espírito Santo: o ar da graça de Deus

 

Na Solenidade de Pentecostes, celebramos a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos (At 2,1-4). A promessa feita por Jesus por ocasião de sua volta para o Pai é agora realizada. O Espírito Santo é o dom definitivo de Deus. Age em nós recriando-nos e nos torna plenamente humanos e cristãos. Deseja habitar na nossa carne para dar-nos a vida (Jo 6,63), e nos faz participantes da comunhão Trinitária. Diferentemente das outras Pessoas da Trindade, quando nos referimos ao Pai e ao Filho, o Espírito Santo é difícil de ser imaginado, pois o Espírito supõe uma realidade em movimento, incorpórea, fluida, aberta, impossível de ser manipulada ou aprisionada. 

 

Na Sagrada Escritura também encontramos muitas imagens para dizer do Espírito Santo. A palavra hebraica ruah, que significa sopro, vento, respiração, foi associada ao Espírito de Deus, daí vem também pneuma, do grego e spiritus, no latim. Talvez, a imagem do ar, do sopro, que está presente desde o início da obra da criação, pois “o sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn 1,1), que juntamente com a palavra, faz surgir à vida, ou que é evocada no Sl 104: “Envias teu sopro e elas são recriadas, e assim renovas a face da terra”, e encontrada também no evangelho de João, quando Jesus ao encontrar-se com os discípulos sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo”, seja uma imagem útil para associamos ao Espírito Santo. Tal como o ar, vital para a manutenção da vida, que também serve para nos identificar, pois é comum nos dirigirmos a alguém: “ele não deu o ar de sua graça”, “tem um ar de”, ou que renova os espaços fechados e abafados, assim é a ação do Espírito em nós.

 

O Espírito Santo é o dom que Deus nos envia por meio de seu Filho. Sua missão consiste em realizar o “bem-querer” de Deus em nós, isto é, santificar-nos, tornar-nos filhos. É o Espirito Santo quem nos permite reconhecer Jesus como o Cristo, recordando e ensinando suas ações e palavras, para que penetrem profundamente na nossa carne, de modo que poderemos vivê-las cotidianamente, através do seguimento criativo e nos tornaremos suas testemunhas (At 1,8): “Trata-se, portanto, de uma verdadeira transformação, uma metamorfose que é realizada no ser humano e que vai, ao mesmo tempo, dando-lhe nova configuração. Configuração que nada mais é do que configuração a Cristo”[1]. Existe aqui um acento antropológico, pois o Espírito Santo ao nos configurar a Cristo, nos ensina a ser humanos e cristãos, isto é, Ele é responsável por nos imprimir uma identidade, que é dada no Batismo. Com o Espírito Santo, nossa vida adquire consistência e profundidade, passamos do caos dos poderes destrutivos ao cosmos harmônico e integrador: “Com efeito, não recebeste um espírito de escravos, para recair no temor, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual chamamos: Abba Pai!” (Rm 8,16).

 

Ser habitado pelo ar da graça de Deus, que é o Espírito, significa abrir-se a uma realidade dinâmica que nos transforma interiormente e nos impulsiona a sair de nossas comodidades, apegos e egoísmos, para realizar plenamente no chão da nossa humanidade, a nossa vocação de filhos e filhas de Deus. Desta forma, será sempre Pentecostes em nossa vida, porque inseridos no mistério santificador de Deus!

 

Rodrigo Costa - Fráter Redentorista da Província do Rio

 

Fonte: www.provinciadorio.org.br

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