Perpétuo Socorro: um ícone do mistério da redenção

 

Dentre os inúmeros títulos dados a Maria, encontramos o de “Perpétuo Socorro”, particularmente caro aos Redentoristas. Trata-se de uma “devoção teológica”, pois nos apresenta uma catequese sobre o mistério da Redenção. O centro do quadro não é Maria, mas Jesus, pois só podemos compreender Maria ao lado de Jesus. Maria é representada num quadro, obra de arte bizantina, dos cristãos-católicos de língua grega. É chamado de Ícone da Paixão, porque nele contemplamos Maria, associada ao mistério redentor de seu fi lho Jesus. Ela é mãe que acolhe, educa, vem em nosso auxílio e nos oferece o socorro que traz em seus braços, Jesus. Em 2016, comemoraremos o 150° aniversário da restauração do culto público a Maria, com o título de Mãe do Perpétuo Socorro, e estão previstas diversas comemorações em todo o mundo. É uma oportunidade única para redescobrir o testemunho de fé que Maria nos apresenta, plenamente dedicada a seu Filho, ensinando-nos acolher sua obra de redenção.

 

A imagem da Mãe do Perpétuo Socorro está associada a uma tradição antiga, segundo a qual, o Ícone foi levado da Ilha de Creta para Roma no final do século XIV, e colocado na Igreja de São Mateus. Durante cerca de 300 anos, o Ícone foi venerado nessa Igreja, até que esta foi destruída pelas tropas napoleônicas em 1798, e com isso o quadro ficou desaparecido por um longo tempo, até que foi redescoberto em 1866, e confiado aos Missionários Redentoristas pelo Papa Pio IX no dia 26 de abril de 1866, para que difundissem e propagassem a sua devoção. Eles a expuseram na Igreja de Santo Afonso, em Roma, e com o tempo a devoção foi crescendo e se espalhando por todo o mundo.

 

O quadro em que está representada a imagem de Maria é um  Ícone, verdadeira obra de arte que nos convida à meditação e à ora- ção. Pode-se dizer que o Ícone é uma janela aberta para o céu, comunica o mistério de Deus por meio da beleza, tocando o cora- ção das pessoas. É como se fosse uma pregação, em que tudo comunica algo: as cores, as formas, as letras, etc. Não há uma preocupação em retratar a beleza física, mas a transformação realizada pelo Espírito. A cor básica do Ícone do Perpétuo Socorro é o ouro, que signifi ca a luz, refl exo da presença de Deus. As cores revelam a identidade de Maria e de seu Filho, o manto azul que envolve o corpo da Virgem representa a maternidade. Maria veste uma túnica de cor vermelha, distintivo das virgens. A cor do rosto de Maria e do menino é marrom, signifi cando que essas pessoas fizeram a experiência de viver plenamente sua humanidade. A cor verde associada ao amarelo, que veste o menino, indica sua divindade e realeza. O rosto de Maria é sério, seus olhos revelam uma terna tristeza. Sua boca é pequena, mostrando- -nos que é necessário silenciar o coração para guardar as palavras do Senhor (Lc 2,51). O olhar de Maria está voltado para aquele que contempla, e não para Jesus, seus olhos nos acompanham e de- “Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura.

 

Proximidade e ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de Deus”. monstram sua proteção constante. Maria segura com a mão esquerda o menino e com a direita aponta- -o, demonstrando claramente seu papel de conduzir-nos a Jesus (Jo 2,5). Do lado esquerdo de Maria, encontramos um grande Menino, de corpo inteiro, que apresenta tra- ços adultos. Parece que Jesus se surpreende e se assusta ao contemplar o anjo que lhe apresenta os sinais da paixão, por isso suas duas mãos se fi rmam no apoio materno. Poderíamos citar ainda tantos outros símbolos e imagens presentes no Ícone. Cada vez que nos aproximamos dele para contemplá-lo descobrimos uma perspectiva nova. É preciso ter sensibilidade e fé para compreender sua mensagem. Mas, o que signifi ca invocar Maria, como Mãe do Perpétuo Socorro? Primeiramente, é preciso deter-se sobre a identidade de Maria apresentada no Ícone, através das letras gregas “MP-ΘY”, ela é Mãe de Deus, porque gera Jesus, e continua realizando a sua maternidade na vida de cada um de nós, que se caracteriza fundamentalmente por abrir os nossos olhos e corações para acolher a salvação realizada no mistério da Paixão de seu Filho, reconhecendo n’Ele o nosso socorro perpétuo, o único mediador.

 

Maria é aquela que “cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pá- tria bem-aventurada” (LG. 62).Ao invocarmos Maria como Mãe do Perpétuo Socorro, lembramos que ela é solidária com as dores da humanidade, por isso se apressa junto ao seu Filho, suplicando por cada um de nós, para que a redenção se realize plenamente em nossas vidas, e assim poderemos ser juntamente com ela, colaboradores do plano da salvação.

 

Fr. Rodrigo Costa Silva, C.Ss.R

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