Exemplo de vocação sacerdotal

 

Tendo completado 60 anos de Profissão Religiosa neste ano, Pe. Vidigal nos fala sobre sua trajetória, as alegrias e os desafios vividos nestas seis décadas. ‘Santo Afonso me sequestrou’ 

 

Como foi o chamado vocacional em sua vida? Como sua família o influenciou nesta decisão?
A vocação religiosa é uma flor que para nascer precisa de um jardim bem cultivado, que é geralmente uma família de vivência cristã e uma paróquia com espírito missionário. Filho de ferroviário, vivi minha infância em Mariana-MG, terra de forte tradição católica, e aprendi na família os princípios cristãos. Pertenci à Cruzada Eucarística e ao grupo de coroinhas da Sé. Ajudei muitas Missas do futuro Dom Oscar de Oliveira, grande amigo de meus pais. Mariana tinha e tem dois seminários, mas não foi para eles que me senti atraído. No dizer do então Cônego Oscar, “Santo Afonso me sequestrou” por meio dos Redentoristas que pregaram lá uma missão em 1947. Quem me levou para o seminário de Congonhas foi o mesmo que 12 anos mais tarde iria me ordenar sacerdote, Dom José Brandão de Castro, primo de meu pai.

 

Fale um pouco de sua trajetória como Redentorista
Pouco antes de eu receber a ordenação,o Papa João XXIII anunciou o Concílio Vaticano II, que haveria de começar em 1962. No ano seguinte, fui mandado para Roma, onde estudei na Universidade Gregoriana e no
Instituto Bíblico, obtendo a licenciatura em Teologia e em Sagrada Escritura. Todas as aulas e todos os exames eram em latim! Acompanhei de perto o Concílio, até presenciei uma sessão. Passei um ano em Jerusalém, como aluno da famosa École Biblique, tudo isso com a finalidade de reforçar o corpo docente do Seminário da Floresta, que era de alto nível, pois todos os professores estudaram na Europa. Minha estadia em Floresta durou só três anos, e depois lecionei em Belo Horizonte, Ilhéus, Belém, Santarém e João Monlevade. Agora vou começar a experiência como professor no Seminário Diocesano de Campos-RJ.

 

Nestes 60 anos de vida religiosa, quais foram as maiores alegrias e as maiores dificuldades?
As alegrias foram muitas, graças a Deus. Trabalhei 5 anos em Roma como Secretário Geral da Congregação, ofício que me deu uma visão panorâmica da Congregação. No Brasil, fui Reitor em Campos, quando nossa igreja foi promovida a Santuário, fui Diretor da Rádio de Coronel Fabriciano, tendo inaugurado a nova sede e informatizado o sistema, fui Pároco em São José/BH, no centenário da Paróquia e Reitor em Curvelo, quando o Pe. Robson encerrou a Oitava de São Geraldo, com transmissão pela Rede
Vida e pela TV Canção Nova. Dentre os mais de 50 livros que já traduzi, destaco a Bíblia de Aparecida, publicada
em 2006 pela Editora Santuário, que já está na 15ª edição. Tristezas também houve, claro. Nos meus primeiros anos de sacerdote, tudo parecia tão tranquilo, a nossa Província crescia, os seminários cheios de jovens. De repente, foi como se uma tempestade desabasse sobre nós. Ficamos reduzidos a menos da metade, muitos confrades saíram da Congregação, os seminários se esvaziaram e a formação teve que buscar novos caminhos. Vivi também dias de muita tensão em Jerusalém, em junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias. A nossa École Biblique foi bombardeada e invadida por soldados. Graças a Deus, não houve vítimas, nem entre os professores Dominicanos nem entre os alunos.

 

Como o senhor está vendo o chamado para participar do Capítulo Geral da Congregação em outubro, na Tailândia?
Já estive em vários Capítulos Gerais, desde 1985, quando fui responsável pelas Atas, que eram feitas ainda em latim. Foi uma grande surpresa o convite que me fez o Padre Superior Geral. Quando saí de Roma, em janeiro de 2011, recebi do Padre Reitor da Casa a gentileza de um diploma peril prezioso lavoro al servizio della
Congregazione. O Reitor anterior, Pe. Darci, hoje Arcebispo, me disse certa vez: “Você não sabe o quanto é querido aqui na Comunidade”.

 

Que recado o senhor daria para os jovens que desejam seguir a Cristo como religiosos?
Eu digo como aquele hino: “Senhor, se tu me chamas, eu quero te seguir; se queres que eu te siga, respondo:
Eis-me aqui!” Cada dia do tempo da formação é uma pedra no seu edifício espiritual. Um pensamento que marcou meus anos de estudos foi este, que ouvi num retiro do Pe. Geraldo Pires de Souza: “Por detrás de cada página dos meus livros, vejo uma alma à minha espera.” E também este, que sustentou São João Maria Vianey, o Cura d’Ars, em suas dificuldades quando seminarista: ele se consolava com o pensamento de que “o ministério das almas não teria a aridez das aulas e dos livros”. Olhem com confiança para o belo futuro que espera vocês: levar a todos a Copiosa Redenção!

 

Fonte: Entrevista concedida ao Informativo da Província do Rio , Akikolá, edição n° 295 de agosto 2016.
 

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