A importância da família no processo vocacional

 

Quando pensamos em vocação, a primeira imagem que nos vem à mente refere-se ou à vida religiosa consagrada ou à vida presbiteral. Imagens piedosas e perigosas que distorcem a real teologia da vocação, pois, pensamos que o “vocacionado” é um privilegiado eleito de Deus e, por isso, é proprietário de um dom divino e também nos esquecemos da vocação à vida matrimonial que responde à primeira bênção e ao primeiro mandamento de Deus ao ser humano “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!” (cf. Gn 1,28b). Portanto, assim como a vocação à vida matrimonial, pai e mãe, nasce de um contexto amoroso e gratuito, da mesma forma a vocação eclesial, padre ou religioso, nasce de um contexto familiar que possibilite o contato com o sagrado e, como no matrimônio os cônjuges vão crescendo em conhecimento um do outro, assim também o vocacionado à vida religiosa ou presbiteral deve poder contar com um lugar que lhe possibilite crescer na fé. Este primeiro lugar é a família.

 

A Exortação apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco em seu número 289 diz que “o exercício de transmitir aos filhos a fé, no sentido de facilitar a sua expressão e crescimento, permite que a família se torne evangelizadora e, espontaneamente, comece a transmiti-la a todos os que se aproximam dela e mesmo fora do próprio ambiente familiar. Os filhos que crescem em famílias missionárias, frequentemente tornam-se missionários, se os pais sabem viver esta tarefa de uma maneira tal que os outros os sintam vizinhos e amigos, de tal modo que os filhos cresçam neste estilo de relação com o mundo, sem renunciar à sua fé nem às suas convicções”.

 

Portanto, mesmo que o mistério da vocação à vida presbiteral e religiosa pertençam à vontade de Deus, pois, Ele chama quem Ele quiser, os jovens só podem responder positivamente ao apelo divino se de fato forem pessoas já iniciadas e praticantes desta fé. Fato que demonstra a importância da família no processo de discernimento vocacional, pois, se o jovem já experimentar e partilhar a alegria da sua fé em Cristo em seu lar, a família torna-se para ele canal da graça pelo simples fato de já possibilitá-lo um horizonte de sentido e busca. Assim, quando o jovem sentir o apelo vocacional à vida presbiteral, religiosa ou matrimonial ele terá bagagem e segurança para optar conforme a vontade de Deus para ele e terá mais chances de se realizar na vida, pois, em casa não se aprende apenas a educação civil, mas, também a educação na fé, ou seja, a família não gera apenas nova vida biológica, gera nova vocação para o mundo e a Igreja de Cristo.

 

Pe. Bruno Alves Coelho, C.Ss.R. - Promotor Vocacional  

Almanaque 2017 , Pág. 8 

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