A beleza do trabalho missionário

 

 

Padre Ronaldo de Oliveira, Missionário Redentorista, conta um pouco da experiência que teve no período de missão na África. O Missionário vai aonde estão os mais necessitados, missão que exige desprendimento e abertura ao outro. 

 

O que mais o motivou a sair do Brasil para fazer esta experiência missionária?

Um sonho acalentado desde a juventude que tomou uma dimensão maior entrando para a C.Ss.R. (uma Congregação Missionária). Ter realizado muitas Missões Populares. Motivações mais recentes e que deram novo impulso ao sonho e desejo: o processo de REESTRUTURAÇÃO vivido pela Congregação, a exortação apostólica "Evangelho da Alegria" do papa Francisco que conclama-nos a ser "uma Igreja de saída".

 

Quais foram os maiores desafios enfrentados no período em que esteve fazendo missão na comunidade africana?

 Os maiores desafios: permanentemente vencer a tentação da pressa na arte de evangelizar, o que requer muita paciência. Purificar, através da catequese, as muitas crenças que são pródigas no mundo africano. Adequar o Evangelho nessa cultura muito rica e, ao mais tempo, permeadas de crendices que não se coadunam com a mensagem do Evangelho. Integrar de forma saudável a solidão e a saudade. Não se sentir um "estranho ou estrangeiro" no país. Moçambique era o meu país e, agora que regressei, é a minha segunda pátria.

 

Como foi este período de convivência com pessoas que têm um perfil muito alegre e festeiro (muito parecido com o senhor)?

De exercício permanente de observação, fazendo muitas perguntas, escutando muito, aprendizado constante, de acolhida ao diferente, sendo muito mais "discípulo missionário”, aprendiz, do que assumindo uma postura de quem sabe tudo.

 

Momentos que mais marcaram de forma positiva em terras africanas? E quais, por alguma razão o fizeram refletir?

As belezas do povo africano que, de certa forma, nos influenciaram muito. A expressão da alegria nas celebrações. A forma como lidam com o tempo (é mais kairótica do que cronológica), a importância que dão ao convívio familiar, a solidariedade entre eles, o desprendimento do que têm para oferecer a Deus num ofertório que é feito com muita expressão de júbilo. O modo como lidam com a morte, sem pressa de sepultar o ente querido.

 

Do que mais sentia falta do Brasil? E como fazia para amenizar a saudade?

De algumas coisas de ordem material (comidas, boa energia elétrica (cortes frequentes)), melhores condições para banho, dormir e outras necessidades, sobretudo, quando ficávamos mais tempo nas aldeias. Boa consistência física, psíquica e espiritual se faz necessária. Empoderava-me, buscava resiliência na Eucaristia diária, na oração pessoal e comunitária, na fraternidade com os confrades (convivi com irlandeses e argentinos). Confrades de boa convivência e solidez espiritual.

 

Como o Carisma Redentorista o ajudou neste trabalho missionário, que exigiu tanto desprendimento?

O nosso carisma é instigante e provocativo. Ele tem a dimensão da mobilidade e da saída. Além de beber nas fontes do Evangelho, está muito bem retratado na exortação do papa Francisco, já citada. Não é normal um Redentorista acomodado. Nosso carisma pede um olhar, uma atenção e uma ação missionária junto aos mais pobres e abandonados. Eles estão em todos os continentes; em maior contingente na África, Ásia e AL. Por amor e compaixão, fui conhecer e conviver com os nossos destinatários em Moçambique. Constatei que a redenção acontece na alegria, na solidariedade e no "aguentar firme" as adversidades da situação dramática do regime político-econômico neoliberal excludente que privilegia somente os mais abastados.

 

Alguma diferença na forma de demonstração de fé que chamou sua atenção no povo africano?

Em meio a tantas crendices, encontrei cristãos comprometidos com o Evangelho. Gente que não se compactua com a desonestidade, a corrupção, com a poligamia (tão comum na África) e o rechaço aos feiticeiros e curandeiros que mantém muitos aprisionados e atemorizados.

 

Percebe alguma diferença em si mesmo devido a este tempo que esteve em missão?

Noto uma percepção e sensibilidade mais aguçada ao outro. Capacidade de escuta e atenção. Percebo-me mais paciente e menos acelerado. Na África se exercita mais a paciência, a mansidão e o administrar o tempo como dom e desfrute e nunca como fardo pesado de se carregar.  A troca e a reciprocidade de cortesia se dão mais pelo olhar do que pelo abraço e outros contatos. O contato é discreto e nem por isso desprovido de atenção e solicitude. Não busquei sucedâneos para compensar a solidão, a saudade e outras faltas. Fortaleci-me na oração e na Eucaristia diárias. Ser mais econômico no trato com a água, dinheiro, energia elétrica, internet, roupas ... na comida, não tem como ser mais econômico. Não há abundância de iguarias como aqui. Apenas uma ou duas ... no máximo três. Quando comia somente arroz com feijão sem outra "mistura" era motivo de gratidão e alegria.

 

O que dizer aos jovens que se sentem atraídos a entrar na Congregação por conta do aspecto missionário, a partir deste tempo de crescimento e vastas experiências?

 Cultivem uma inquietude evangélica que lhes permita sair da acomodação e do contentamento do provisório que aprisiona o espírito irrequieto e questionador próprio do jovem. Na Congregação Redentorista sendo padre, irmão ou integrante da JUMIRE (Juventude Missionária Redentorista) o seu amor aos mais pobres e abandonados é o lugar e o instrumento de Deus que Santo Afonso nos legou para ser a presença do Cristo Redentor que aproxima, acolhe, envolve com solicitude amorosa, liberta e coloca em condições de colocar de pé os quebrantados e feridos por tantos "açoites".

 

 

 

 

 

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