Pe. Jonas Pacheco, C.Ss.R., fala de sua Ordenação e da alegria de vivenciar o ministério

 

 

 

Depois de anos de formação, eis que deu mais um passo importante em sua caminhada. Deu mais um "sim" a Deus e à Congregação. Como foi vivenciar os momentos emocionantes de sua Ordenação?

Após os doze anos de formação inicial, de muitos passos dados, eis que se aproximou o momento da ordenação presbiteral. Carrego o sentimento de memória agradecida por tantas vivências, por perceber a graça de Deus atuando em minha história. Os preparativos e a ordenação ocorreram como esperados, de forma tranquila. Momentos que irão ficar guardados pra sempre em minha lembrança. É difícil descrever tantos sentimentos que afloraram em mim, alguns tantos sem possibilidade até de nomear, apenas sentir. O coração ficou cheio de alegria e satisfação por minha resposta dada. Não vejo a ordenação como uma simples realização pessoal, mas como uma forma de melhor servir ao povo de Deus, através do ministério ordenado.

 

O que mais te tocou na passagem bíblica que é tema de seu sacerdócio a ponto de elegê-la para um momento tão marcante de sua vida?

“Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações”. Jr 1,5-6

 

Esta foi a passagem bíblica que escolhi para a minha ordenação presbiteral e também que motivou o desenho que está estampado no convite. Num primeiro momento e um olhar desatento pode levar-nos a pensar de forma predestinacionista, remetendo-nos a ideia de que a vocação é simplesmente seguir um destino já determinado. Porém, na relação com Deus os caminhos são outros. É Deus quem chama, é Jesus quem convida os doze para o seguimento, mas a resposta é pessoal. Implica querer, liberdade. O Pai Celestial já nos conhece desde o princípio e chama a cada um dos seus filhos para responderem a vocação.

Creio que desde o ventre materno Deus havia pensado os caminhos nos quais eu viria trilhar. Já bebê passei por dificuldades sérias de saúde. Meus pais dirigiram suas preces ao Senhor Bom Jesus de Congonhas para que o pequeno Jonas ficasse curado. E com a graça de Deus, seus pedidos foram atendidos. Uma presença Redentorista se fez forte nesse momento, Pe. José Bosco, que veio trazer luzes para a família. Passado esse momento, a vida seguiu seu curso normalmente. Eis que no ano de 2004 acontece em São Brás um Tríduo Vocacional Redentorista, por ocasião dos 50 anos de vida religiosa do Ir. Magela. Eu, jovem, me senti atraído pelo jeito de ser dos Redentoristas e embora, com muitas dúvidas, iniciei um acompanhamento com a Congregação. O encantamento só aumentou e no ano de 2005 ingressei no seminário, em nossa primeira casa de formação, em Juiz de Fora (MG).

 

Como foi vivenciar estes momentos junto da comunidade na qual cresceu e viveu até parte de sua adolescência?

O fato de a Ordenação ter acontecido em minha terra natal, São Brás do Suaçuí (MG) foi de grande importância. Foi lá que comecei a crescer na fé, dar os primeiros passos na caminhada cristã. E isso não fazemos sozinhos, sempre há pessoas que nos ajudam. Primeiro meus pais, que me levaram para ser batizado, que me ensinaram as primeiras orações e foram me inserindo na comunidade eclesial. A família, e tantos outras pessoas que foram instrumentos de Deus para que eu pudesse ir fazendo minha experiência de Fé. E a ordenação pôde possibilitar que todos e todas que me acompanharam até a adolescência estivessem presentes nesse momento tão importante de minha vida. Poder compartilhar com a comunidade, o novo passo de minha caminhada.

 

Como acredita que a vida que levará em uma comunidade Redentorista grande e diversificada, como em Coronel Fabriciano, ajudará na sedimentação de sua caminhada como sacerdote?

Uma das coisas que me identifica na vida religiosa é o nosso sentido família. Deixamos nossa família de sangue, para ganhar como presente de Deus os confrades. E aqui em Fabriciano nossa comunidade tem grande vivacidade. Nesses primeiros meses vou percebendo como a comunidade ajuda a vivermos melhor nossa fraternidade, solidariedade. Acredito que o sacerdote que está inserido na vida religiosa tem mais possibilidades para viver a comunhão. E poder compartilhar a caminhada, as dificuldades, alegria nos ajuda muito a dar passos mais seguros.

 

O Papa pede constantemente uma igreja em saída, que não fique fechada em si mesma. Como aproveitar o vigor/disposição de sua juventude na construção desta igreja "nova"?

A insistência para a Igreja em saída deve ser feita sempre. Isso aprendemos desde quando dirigimos nosso olhar a Jesus e seus discípulos, quando começaram a pregar a Boa Nova nos primeiros povoados e comunidades de seu tempo. Mas por vezes, esquecemos desse ardor missionário que devem ter todos os cristãos. Como jovens temos que aproveitar nossa disposição e colocar-nos a caminho, em direção àqueles que ainda não ouviram, não fizeram sua experiência do Cristo. Com o nosso testemunho, gestos e palavras e o vigor mostrar ao nosso povo o caminho, o seguimento de Jesus. E também aprender com as pessoas, uma vez que no caminho encontramos inúmeras situações que nos iluminam e também falam de Deus. O coração precisa estar aberto, disponível sempre.

 

O desejo de estar próximo das comunidades mais carentes vem apenas do Carisma Redentorista, ou acha que traz esse desejo no coração?

O desejo de estar próximos dos mais abandonados parte do próprio Jesus Cristo que admoesta-nos a dar nossa atenção aos preferidos de seu Pai. E nossa espiritualidade é Cristocêntrica, por isso continuamos a missão de Jesus e irmos até os mais simples e humildes levando o anúncio do Reino de Deus. E no coração carrego também minhas inquietações com tantos sofrimentos humanos, desigualdades, injustiças que ainda acontecem à nossa volta e com tantos de nosso mundo. É a esses menos favorecidos que devemos voltar nossa atenção.

 

Como um jovem padre Redentorista, de que forma causar impacto na vida do outro, mesmo que de forma simples? Como procura fazer isso?

São muitas as possibilidades e creio que não existe um método definitivo. Existem balizas para que a nossa ajuda aconteça. Temos os meios eclesiais para isso. Celebrações, sacramentos. Mas creio que seja indispensável também nosso testemunho de vida, nossa palavra para ajudar. A escuta, que nos dias de hoje se faz bastante necessária. Uma vez que as pessoas passam por dificuldades e em muitos casos não tem quem as escute. A presença amiga e acolhedora é essencial em nosso ministério.

 

Acredita que pode exercer uma influência positiva na vida de outros jovens que possam cruzar o seu caminho? E de que forma fazer diferença na vida de uma geração que carece muito de referência?

Se queremos uma Igreja futura precisamos dar grande atenção as nossas crianças e aos nossos jovens. É necessário que a Igreja seja acolhedora. Os jovens ficam fascinados com tantas possibilidades que existem no mundo hoje e precisamos como Igreja, como ministros ordenados encantá-los também com nossas vidas, nossa pregação. Acredito que eles podem nos ensinar também. Tem muito a dizer-nos. É necessário sermos uma Igreja em saída também para a juventude.

 

Como olhar para os sacerdotes que já estão há anos em nossa Província e continuam com o mesmo espírito de entrega e amor à missão que abraçaram como abraça agora?

É gratificante conhecer a história dos que nos antecederam e olhar para os confrades de nossa província que tanto já fizeram e fazem nessas terras de Minas, Rio e Espírito Santo; e também em outros locais. Ao mesmo tempo, também me sinto impulsionado e responsável por continuar a nossa história como Província, fazendo com que o Reino de Deus continue acontecendo. As experiências dos nossos bravos confrades ajudam a vislumbrar novos horizontes.

 

Quais são as principais motivações no dia a dia que o levam a renovar o seu “sim”?

Encontro primeiramente minhas motivações no próprio Cristo que nos chama, que chamou os primeiros apóstolos e continua a nos chamar. Maria também é exemplo de discípula, ela que aceitou o projeto de Deus e disse “sim”. Ao povo que sou e somos enviados encontro sentido de minha vocação. Sinto-me realizado na vocação ao serviço daqueles tantos que querem fazer um caminho cristão. A vida religiosa e a comunidade também são motivações bastante fortes. Com nossa forma de viver, mostramos ao mundo e às pessoas um caminho possível de seguimento a Cristo Jesus.

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