Convocados para a missão

 

O anúncio da vida depois da morte não é a novidade cristã, pois judeus e muçulmanos anunciam isso também. Ele está incluído no Evangelho, mas não é o específico da mensagem cristã e nem é o núcleo central da missão. A mensagem cristã se diferencia de todas as outras filosofias e religiões pelo fato de anunciar que o Reino de Deus já está presente. A novidade do Evangelho é que Deus está instalando e realizando o seu Reino entre nós agora mesmo. E as parábolas do reino, segundo Mateus, destacam o aspecto de que o Reino é oculto aos olhos dos que não estão preparados para recebê-lo e dos que não têm condições para aceitá-lo, mas o Reino de Deus existe e está agindo nesse momento como um grão de mostarda e como fermento na massa.

 

Deus constrói o seu Reino por meio da luta, como está citado em várias narrativas bíblicas. Ele reina através da atividade dos seres humanos estimulados e conduzidos pelo Espírito. A luta de Deus se dá por meio de seus filhos. Assim se explica que o Reino de Deus não é objeto de doutrina nem de teorias expositivas. Trata-se de realidades concretas, que tornam real e visível o Reino. Mas tais realidades não nascem sozinhas, precisam ser provocadas, requerem uma interferência especial: a evangelização. O Reino de Deus nasce se as pessoas aceitam agir e lutar, porém as burguesias ocidentais tentam esvaziar os elementos de luta do Evangelho, glorificam a paz e a tranquilidade e faz com que não  lutemos por solidariedade.

 

As condições de luta são as seguintes: primeiro, a necessidade de optar pelo Reino de forma definitiva e clara. Segundo, aceitar o fato de ser um fermento na massa, o que significa uma minoria no meio de uma massa aparentemente apática. Terceiro, aceitar a lei da cruz, quer dizer, aceitar a luta sem ver o resultado, aceitar a aparência de derrota, aceitar uma luta sem descanso. A fé na cruz é também uma opção por uma forma de luta. É assumir uma ação no mundo sem se importar com a eficácia, pois a vitória está na própria cruz, na própria luta, a vitória da fé que não cede, na esperança que não desanima, na confiança que não falha.

 

O Evangelho divide e a sua função é dividir mesmo. Jesus vem para obrigar todos a se revelarem, vem obrigar todos a tomarem partido. Assim vemos que o Evangelho faz com que as pessoas apareçam tal como são. O Evangelho não permite a neutralidade.

 

Deus reina enviando evangelizadores para o mundo e a missão não é algo transitório ou preparatório para algo futuro, ela é o próprio Reino. Ela é o fim e não apenas uma atividade entre outras, que tem seu fim em si mesma, em seu crescimento, em sua fidelidade, em sua expansão pelo mundo. A missão revela ao ser humano sua verdadeira condição, pois envolve sua plenitude. Uma condição que reconhece o mundo como o terreno de uma luta radical e de uma reconquista, que se opõe à condição burguesa, que obriga a pessoa a sair de seu individualismo, de sua autoafirmação, para entrar numa obra coletiva na qual cada um assume sua responsabilidade. A verdade do homem é abrir-se ao mundo para transformá-lo, aceitando lutar na construção do Reino de Deus.

 

Por muito tempo, na história da humanidade, a luta principal foi concebida como luta do indivíduo contra si mesmo, no sentido de libertar-se de sua própria escravidão, de seu vício, de sua ignorância. Por isso a libertação foi considerada, durante vários séculos, como um trabalho do indivíduo sobre si mesmo. Na atualidade, o maior desafio é a própria sociedade humana, e a luta é o esforço por uma convivência realmente humana e livre. A libertação não é somente de uma escravidão interna ou contra a escravidão das forças materiais, mas contra a escravidão feita dos humanos sobre outros seres humanos.

 

A missão, portanto, obriga a uma opção. Não é facultativa. Ou os indivíduos ajudam a libertar ou ajudam a escravizar. Não é possível a indiferença – ou liberta ou escraviza. Ou apoiamos o Reino de Deus, ou apoiamos a cultura existente de opressão.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.

 

baseado no texto de COMBLIN, José. A presença universal do Reino de Deus e o sentido atual da missão. In: A missão a partir da América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

 

Fonte: www. sabordafe.com

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